Nos faltam líderes? Como serão os líderes do meu filho?

Valores como força e disciplina, frequentemente visto em líderes, estão se perdendo. Isso enfraquece vindouros líderes?

Filhos, como vocês já devem ter percebido, o pai de vocês tenta ser o mais imparcial possível. Acredito que o conhecimento é construído com a ajuda da observação da passagem do tempo, pois tudo é mutável e o tempo é implacável para tudo e todos.

Ouço frequentemente que no tempo em que vivo (tenho 25 anos no dia que escrevo isso) há escassez de líderes. Obviamente: concordo e discordo.

Percebam que as pessoas que proliferam a informação supracitada normalmente possuem mais de 30 anos, isto é, pertencem as gerações Tradicional (geração silenciosa), Baby Boomers, X e Y, sendo os Tradicionais e Baby Boomers (os mais velhos) a acreditarem mais nisso.

Ora, conforme já descrevi no meu post características das gerações conhecidas atualmente, sabemos que a cada período de tempo um grupo de indivíduos tende a acreditar em valores apostos aos valores acreditados pela geração anterior devido às circunstâncias do tempo em que vivem, e em adição a isso, podemos considerar também os recursos que possuem graças a avanços tecnológicos, eventos marcantes e mudanças de comportamento geral da sociedade impulsionados por diversos outros fatores.

Dito isso, quando é afirmado que no momento atual em que vivemos, existe uma escassez de líderes, sejam políticos, esportistas ou artistas, precisamos analisar a veracidade da afirmação com cautela.

O que é um líder?

Ultimamente tenho me feito bastante essa pergunta, pois no momento ainda não exerço um cargo de liderança no ambiente profissional, e por isso estudo bastante para entender o que me falta para me tornar um líder. Hoje em dia parece haver um movimento do qual empresas valorizam o caráter e as atitudes de um profissional mais do que suas competências técnicas.

Segundo Gilberto Guimarães, um dos grandes professores do MBA em Marketing e Vendas que estou terminando, estamos vivendo uma nova liderança, liderança esta que ele chama de Liderança Positiva:

A liderança positiva mostra que para obter resultados excepcionais, os líderes devem aprender a criar um ambiente extremamente positivo no trabalho. Eles devem aproveitar os pontos fortes de cada um em vez de simplesmente concentrar-se sobre os pontos fracos. Lideres devem aprender a elogiar e promover emoções positivas como a compreensão, compaixão, otimismo, gratidão e o perdão. Devem desenvolver e incentivar as relações de apoio mútuo em todos os níveis, e fornecer aos liderados um senso profundo de significado e propósito do trabalho.

Pois bem, vejam um exemplo abaixo de Liderança Positiva, o qual me foi apresentado em um curso de Técnicas de Liderança que fiz no Senac:

Maurice Cheeks, ex jogador de basquete e atualmente assistente técnico do Oklahoma City Thunder da National Basketball Association (NBA), conduz Natalie Gilbert, 13 anos, a lembrar a letra do hino nacional americano, há 16 anos atrás

Sabemos que em outros tempos a garota seria apenas observada pelo seu técnico ou pais e posteriormente seria severamente repreendida. Maurice Cheeks, que muito provavelmente nem conhecia a garota, ex-jogador de basquete e, portanto, não possuía relação profissional com a música, mas mesmo assim se dispôs a ajudá-la. Nota-se que, à época, o episódio foi polarizado, dividindo opiniões, mas hoje é visto como inspiração, como uma lição de liderança.

Logo, podemos observar uma mudança no paradigma. Ao passo que os líderes mais antigos dotavam de coragem e disciplina, eles também eram rígidos, inflexíveis e autoritários. Eles dispunham de força para se sacrificarem pelos seus liderados. Posso citar o maior exemplo de líder da ficção científica já me apresentado: Maximus Decimus Meridius do filme Gladiador.

Assisti esse filme em 2000 quando tinha apenas 7 anos e até hoje é o meu filme favorito, pois cada vez que pesquiso mais sobre a história do filme e o contexto histórico do qual ele foi inspirado, eu me admiro ainda mais.

Gladiador – Russell Crowe interpreta Maximus Decimus Meridius. Filme de 2000 dirigido por Ridley Scott.

Apesar de Maximus ser um personagem totalmente inventado, sabemos que ele era um Centurião Romano, cargo de liderança na hierarquia militar romana que realmente existiu. Um Centurião Romano podia ser comparado a um engenheiro e construtor, devia ter no mínimo 16 anos de serviço em combate, era capaz de carregar 40 quilos de armadura e equipamentos por pelo menos 32 quilômetros por dia. Era o último a comer, o primeiro a acordar e sempre liderava sua tropa da linha de frente.

Notem, aqui estamos falando de líderes e não chefes. Ainda hoje encontramos tanto líderes como chefes em qualquer âmbito de nossas vidas. Um líder inspira e influencia positivamente seu liderado a fazer algo e o liderado vê propósito naquilo que faz, um chefe manda o liderado fazer e sabe que sua imposição será respeitada pois ele é temido pelo liderado.

Hoje sabe-se que o conceito de hierarquia está mudando. A ordem não vem de cima e simplesmente é acatada. A ação agora é parte de uma construção conjunta. Existem sim líderes por aí fora, jovens, que se doam pelos outros, mas força e disciplina não são mais valores tão aclamados. Imaginem vocês, jovens, que almejam uma carreira de sucesso, e que eventualmente tenham desejado liderar pessoas, como se sentiriam se um líder experiente chegasse para vocês e dissesse: para ser um bom líder, você deve viver uma vida de abnegação para que seus subordinados lhe vejam como exemplo. Certamente, o jovem desistirá dessa vocação. Além disso, na era de ultra-exposição via redes sociais em que vivemos, qualquer erro que comenta, por menor que seja, uma multidão irá explorá-lo.

Procura-se em um líder atual uma pessoa que saiba respeitar diversidades e saiba utilizar essas adversidades em prol do bem coletivo. Líderes desbravadores e com personalidade forte influenciavam um conjunto de pessoas a seguir os seus princípios, e, por mais que fossem respeitados e legítimo, eram impositivos e rígidos, por isso a criatividade não tinha espaço.

Hoje a criatividade é um valor fundamental. Estamos na era do conhecimento onde a competitividade estimula cada vez mais invenções e aprendizado, gratificar atitudes inovadoras e inspiradoras e promover a coletividade têm se mostrado ambiente de solidariedade e felicidade tanto no âmbito profissional quanto no âmbito pessoal.

Como vocês irão liderar, filhos?

Referências:

GUIMARÃES, Gilberto. Liderança positiva: um novo modelo de liderança para esses novos tempos. Ibmec. 2018. Disponível em: <https://www.ibmec.br/noticias/lideranca-positiva-um-novo-modelo-de-lideranca-para-esses-novos-tempos&gt;. Acesso em 03 de Junho de 2019.

DEVENEY, Sean. Hall of Famer Maurice Cheeks recalls national anthem assist: ‘I didn’t know I would do that. Sporting News. 2018. Disponível em: <https://www.sportingnews.com/us/nba/news/maurice-mo-cheeks-national-anthem-natalie-gilbert-video-coach-nba-hall-of-fame-trail-blazers/h749s8eomo4l1gy86ju2g9r26&gt;. Acesso em 03 de Junho de 2019.

MICHEL, John General. The Dual Pillars of Character: Strength & Honor. Disponível em: <https://generalleadership.com/dual-pillars-character-strength-honor/&gt;. Acesso em 03 de Junho de 2019.

WELCHLIN, Kit. Why Are The Generations So Different?. Disponível em: <https://www.speakernow.com/communication/why-are-the-generations-so-different-by-kit-welchlin/&gt;. Acesso em 03 de Junho de 2019.

https://www.quora.com/Did-Roman-soldiers-really-say-Strength-and-Honour-to-each-other-as-portrayed-in-the-film-Gladiator

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